
Limites da Razão
Sabidamente, para aqueles que se importam com este tipo de questão, é muito difícil efetuar afirmações sobre a realidade que não podem ser desprovadas ou, ao menos, colocadas em cheque por alguém minimamente treinado em articulação verbal.
A ideia de atingir a VERDADE utilizando exclusivamente o aparato da Razão se tornou uma tarefa ainda mais árdua ( senão impossível ) pois mesmo que se tenha a capacidade de descobrir axiomas e deles derivar teoremas, não temos como efetivar testes práticos com os mesmos e isto desafia nossa mente moderna que é tendenciosa a considerar que apenas a Verdade científica tem valor.
Limites da Ciência
Ao que a Ciência se presta, ela deve sempre ser ouvida como a melhor das conselheiras. Ainda assim, mesmo dentro do império dela, há situações onde você não tem uma resposta certa e objetiva em especial nas esferas de conhecimento mais distantes das ciências conhecidas como exatas.
Um bom exemplo seria conhecer a parte de efeitos adversos de medicamentos. Se para a maioria dos casos comuns e cotidianos os efeitos adversos são irrisórios ou suportáveis, há medicamentos cujos efeitos adversos geram problemas que para algumas pessoas e/ou condições que tornam-se piores que a doença e a resposta sobre o uso ou não da droga mais uma vez migra para o ponto de vista subjetivo de quem vai dar a resposta final.
Se olharmos estritamente do ponto de vista médico-científico você quer sempre salvar a vida e dar mais saúde a todo custo. É nesta direção que a própria existência da ciência medica se desenvolveu. Mesmo aceitando que há casos que não há o que fazer, estes casos são vistos como uma falha ou limite da mesma e que o ideal seria ter a resposta para tudo afim de garantir a vida plena e saudável a todos.
Seguindo assim e eliminando o fator humano podemos entender que para um autômato operando a cadeia de decisões, ele sempre vai administrar a medicação independente do que venha a ocorrer com o paciente. Mas um humano minimamente empático saberá que a ciência médica e a busca pela “vida e saúde a todo custo” tem um limite e não deve ser levado ao extremo sempre. E que há momentos em que “deixar assim” é o certo a fazer pois não há nenhuma resposta científica para tais dilemas. É sempre algo visto caso a caso, portanto individualizado e não previsível.
Sabemos que a Instituição da Ciência organizou conselhos de Ética para ter de antemão algumas decisões e orientações previas sobre situações gerais e também limítrofes e assim garantir uma linha guia mínima para variados tipos de situações, mas note, isto é um apêndice totalmente artificial do que é a ferramenta Científica em sí, pois esta poderia muito bem existir sem a outra.
São justamente os limites reconhecidos da Ciência e nossa necessidade Humana que transcende ao que a Ciência é capaz de discorrer que nos força a ter tais apêndices.
Limites da negação
Havia muito observara que, quanto aos costumes, as vezes é preciso seguir como se fossem indubitáveis opiniões que sabemos serem muito duvidosas…
Mas, uma vez que desejava então dedicar-me unicamente à busca da verdade, julguei que era preciso fazer exatamente o contrário, e rejeitar como absolutamente falso tudo aquilo em que podia imaginar a menor dúvida, para ver se depois disso não restaria algo entre as minhas convicções que fosse inteiramente indubitável. Assim, uma vez que os nossos sentidos às vezes nos iludem, quis supor que não havia nenhuma coisa que fosse tal como eles nos fazem imaginá-la; e uma vez que há homens que se enganam ao raciocinar, mesmo no que diz respeito às mais simples matérias de geometria, e cometem paralogismos, julgando estar eu tanto quanto os outros sujeitos a erro, rejeitei como falsas todas as razões que tomara antes como demonstrações;
Assim, considerando que todos os pensamentos que temos quando despertos nos podem vir também quando dormimos, sem que nenhum deles seja então verdadeiro, resolvi fingir que todas as coisas que jamais me entraram no espírito não fossem mais verdadeiras que as ilusões dos meus sonhos. Mas imediatamente notei que, enquanto queria assim pensar que tudo fosse falso, era preciso necessariamente que eu que o pensava fosse alguma coisa. e notando que esta Verdade, penso, logo sou, era tão firme e segura, que todas as mais extravagantes suposições dos céticos não eram capazes de abalá-la, julguei que podia aceitá-la sem escrúpulos como o primeiro princípio da filosofia que buscava.Discurso do método/ Meditações
René Descartes
É inegável que o exercício do Ceticismo é importante para a construção de uma mente saudável. Assim como uma casa sem portas ou janelas que pudessem ser fechadas, uma mente que aceita tudo passar por ela sem limitar ou filtrar adequadamente seu conteúdo não oferece segurança a quem dela se serve.
Ao mesmo tempo, o Ceticismo exacerbado torna a mente tão impermeável a qualquer experiência que se assemelharia a uma prisão onde nada é permitido entrar e a única certeza é a estagnação.
Visto que há mais falsidade do que verdades, parece mais coerente que sejamos também mais céticos do que permissivos, mas o quanto? De que forma podemos criar um “filtro” que nos permita extrair o melhor da experiência do nosso tempo de vida?
Realidade
Como descrito, é muito difícil efetuar afirmações que se mostrem realmente Verdadeiras e mesmo estas podem estar conectadas a uma percepção errônea da realidade. Mas como vimos no exercício de Descartes, ao tentar negar tudo, sobra algo ao qual não podemos duvidar sem estar proferindo uma inverdade.
Sabendo que nada permite eu ter total certeza se algo além de mim realmente existe, me resta, neste mundo opaco aos sentidos e nebuloso para a mente apenas duas posturas. Ou ignorar tudo e todos como se ilusões fossem ou a de crer que de fato eles estão ali e então reagir de acordo.
Com isto em mente, para fins de organização mental a única REALIDADE a qual tenho acesso é de que existo! Já a Realidade que me cerca e que percebo pelos sentidos e que pode simplesmente não existir eu posso ou não ignorar mas opto por não ignorar por motivos totalmente pessoais aos quais não tenho como fugir visto que é assim que sou.
Realidade pessoal
Pelo ponto de vista que me foi dado, tendo a crer que temos uma vida finita e ela pode ser melhor ou pior conforme nossas escolhas estão ou não em conformidade com certas “regras”.
Por preferencia pessoal tendo a buscar uma vida de maior conforto e tranquilidade para mim e honestamente desejo o mesmo aos outros mesmo sem saber se eles realmente existem ou não. Tendo a crer que um ambiente onde os participantes estão apreciando mais e melhor da experiência causa em mim uma sensação boa e alimenta de forma positiva a minha própria experiência também.
Visto que estou “presa” nesta realidade que eu não consigo afirmar que existe, prefiro assumi-la como verdadeira e me dedicar a aprender como ela funciona e de que forma posso ter uma melhor vivência enquanto esta experiência durar.
Objetivos deste blog
No tópico anterior descrevi um dos primeiros filtros para o que estou pretendendo neste espaço e se você é um ente que tem um objetivo de vida parecido, então está convidado a seguir além.
Minha principal pretensão para este espaço é o de expor questões, pensamentos e assuntos que me são importantes e me parecem dignos de nota ou meramente divertidos.
Para os próximos posts pretendo trabalhar conceitos e assuntos que considero basilares e que em mim se solidificaram de forma bastante rígidas e que utilizo ativamente na minha vida e rotina e também percebo que fizeram bem a mim ao longo de minha vida até aqui.

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