Occasus II – Homines

Como dito anteriormente, pouco se pode afirmar sobre a Realidade e mesmo todos os conceitos que nos norteiam e que acreditamos serem importantes podem ser apenas concepções vazias e não necessárias.

Verdade, justiça, o bem, a beleza, a liberdade, a razão e qualquer outro conceito abstrato são em última instância apenas ideias que não encontram fundamento sólido o suficiente para afirmar que existem per se.

A vida não necessita de verdade nem de justiça, nem do bem, nem da beleza e tão pouco da liberdade ou da razão para se manter. E nós, Sapiens, enquanto Animais que somos, também não precisamos de nada disso para simplesmente sobreviver.

No entanto, notei ao longo dos anos que embora eu não possa afirmar que estes conceitos existam per se, eles estão presentes em nossas vidas Humanas e seu reconhecimento está entre as características que nos distingue dos demais Animais.

E o que somos?

Não posso falar pelas demais espécies mas ao menos no que tange a nossa me é permitido afirmar que não somos comuns e, seja pelo motivo que for, desejamos mais que apenas sobreviver. Ou, talvez, todos desejam mas nós definitivamente conseguimos!

Seria uma presunção grande da minha parte tentar definir de forma definitiva o que é um ser Humano. Ao mesmo tempo, seria também covardia me eximir de qualquer definição então, para estar em conformidade com questões que me são importantes, serei presunçosa e vou expor uma definição dentro do qual, ao longo das demais postagens vou tentar cercar, limitar e defender como forma de demonstrar ao menos que, se tal visão não é a melhor, ao menos se presta para fazer leituras válidas daquilo que não pode ser negado.

O ser Humano é um Animal gregário que, dotados de uma capacidade cognitiva especialmente acima da média, cria e aperfeiçoa ferramentas e habilidades de cooperação.
Tem personalidade individualizada e vontade própria e, por uma série de mecanismos sociais visa, tanto quanto possível, alinhar suas necessidades pessoais com as necessidades do grupo ao qual está convivendo naquele momento.

O individuo e o grupo

Na nossa espécie, a percepção de Ser não nos permite confundirnos com os demais. Temos de forma inata a percepção de que cada um de nós não é o outro e, na maior parte das ocorrências, agimos de forma auto-orientada em busca de beneficio próprio e independente. Podemos dizer que cada indivíduo de nossa espécie é um ser dotado de autoidentificação e vontade própria.

Nossa individualidade e capacidade de tomar decisões que divergem dos demais e ainda, tomar decisões em detrimento dos demais faz com que não seja possível em nossa espécie algo como uma Cooperação automática como vemos em seres como abelhas, formigas e demais espécies que vivem em Estrito Coletivo. Ainda assim, conseguimos nos organizar de forma a – na maior parte do tempo – cooperar voluntariamente uns com os outros para obter as vantagens da união de capacidades individuais para benefício dos envolvidos no grupo.

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